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  • garcez33

Lembranças de Auaris

A construção dos Pelotões Especiais de Fronteira (PEF) do Exército, no contexto do Programa Calha Norte, trouxe um fator complicador para os seus idealizadores, em função de estarem em locais normalmente acessíveis somente por avião – a necessidade de se reduzir, ao mínimo possível, a dependência de óleo diesel para a geração de energia elétrica. A solução encontrada foi a construção de micro-usinas hidrelétricas com capacidade para gerar energia suficiente para o abastecimento do PEF e da comunidade indígena instalada nas proximidades. Assim, surgiram as micro-usinas de S. Joaquim, Querari, Maturacá, Surucucus, Auaris e, Pari-Cachoeira.



Com exceção dos PEF de Surucucus e de Querari, nos demais, as micro-usinas estão instaladas em locais

de difícil acesso, o que muito dificultou suas construções. Em Maturacá e em Auaris, todo o material necessário para a obra, do cimento ao gerador e seus acessórios, foi transportado por helicópteros HM-1 Pantera (a maioria em carga externa). Helicópteros HM-2 Black Hawk transportaram o material da obra da micro-usina de Pari-Cachoeira.



Em Auaris, no ano de 1995, foi montada uma verdadeira operação de guerra para o transporte do material. O PEF ainda estava em construção. Foram empregados três helicópteros MH-1 Pantera e o Esquadrão desdobrou equipes de abastecimento, de carga externa, de rancho, de saúde e de comunicações. Foi uma semana de intensas atividades, com vôos do nascer ao por do sol. Enquanto as aeronaves eram abastecidas, as tripulações aproveitavam para um rápido descanso. Foram toneladas de cargas transportadas penduradas pelos ganchos dos helicópteros.



Antes da partida, ainda em Manaus, o Oficial de Segurança de Vôo havia preparado alguns cartazes para um brifing de segurança a ser realizado com os integrantes das equipes de apoio, antecedendo o início dos trabalhos. No local, descobriu que tais equipes eram compostas integralmente de índios das etnias Maiangonguis e Yanomâmis que não conseguiam entender nada do que ele falava ou mostrava. Um dos militares responsáveis pela coordenação desses trabalhadores, pouco afeito às peculiaridades amazônicas, chegou a irritar-se profundamente com o que chamou de indolência e preguiça dos índios, para diversão dos demais.



Hoje, com as micro-usinas em pleno funcionamento, as aeronaves do Exército ainda se fazem presentes sempre que há necessidade de manutenção nas linhas ou nos geradores. No mais, restam as recordações daquele período inicial da Aviação do Exército Brasileiro na Amazônia.

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